Elzita e Fernando Santa Cruz

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São inúmeras as famílias que até hoje sofrem a ausência de seus parentes. Mães choram o desaparecimento de seus filhos sem terem sequer um túmulo onde depositar suas homenagens. Dona Elzita Santa Cruz, mãe de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, desaparecido político, é uma delas. Fernando tinha 26 anos quando desapareceu, num sábado, ao sair da casa de parentes, no Rio de Janeiro, para se encontrar com seu camarada de organização política Eduardo Collier Filho. Ambos militavam na Ação Popular Marxista-Leninista.

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Nascida em 14 de outubro de 1913, dona Elzita transformou-se num exemplo de coragem e perseverança na busca da verdadeira história por trás do sumiço de Fernando e pelo direito de enterrá-lo dignamente.

Inúmeras cartas foram escritas por dona Elzita para todas as autoridades brasileiras. O caso ganhou repercussão depois do pronunciamento, em abril de 1974, do senador Franco Montoro, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) de São Paulo, a respeito das prisões ilegais que aconteciam na época. O governo foi pressionado a dar explicações sobre os desaparecimentos, e a notícia correu o mundo em publicações como as do periódico francês Le Monde e do jornal The New York Times, dos Estados Unidos. Até hoje, porém, o caso não foi solucionado.

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“É justo, é humano, é cristão que um órgão de segurança encarcere, depois de sequestrar, um jovem que trabalhava e estudava, sem que à sua família seja dada qualquer informação sobre o seu paradeiro e as acusações que lhe são imputadas?”, escreveu dona Elzita em carta ao marechal Juarez Távora, datada de 21 de maio de 1974. Na mesma epístola, dona Elzita, angustiada, pergunta ao marechal: “Meu querido filho também é esposo e pai. Que direi ao meu neto quando jovem se fizer e quando me indagar que fim levou o seu pai, se ele não tiver a felicidade de seu regresso? Direi que foi executado sem julgamento? Sem defesa? Às escondidas, por crime que não cometeu?”.

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Hoje, aos 102 anos de idade, Dona Elzita ainda se emociona ao falar do desaparecimento de Fernando, mas não perdeu a garra para buscar a verdade e lutar pela justiça. Junto com Elzita Santa Cruz e com tantas outras mães, irmãos, filhos e companheiros de desaparecidos e mortos da Ditadura Militar instalada em 1° de abril de 1964, nós repetimos: “Pelo direito à memória, à verdade e à justiça! Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!”.

(Texto organizado a partir da matéria de Ludmila Outtes e Thiago Santos, publicada no site http://averdade.org.br/)

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