Antônio Alves Dias

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Antônio Alves Dias nasce em 10 de junho de 1936, em Limoeiro, Pernambuco. Vem para Recife, onde fez o concurso para seleção de Aprendizes Marinheiros em 1952, desistindo pouco depois de aprovado. Passado um ano, prestou novo concurso na Marinha, para fuzileiro naval, sendo admitido nesse mesmo ano. Recebeu farda no dia 24 de agosto de 1954 (dia do suicídio de Getúlio Vargas), e naquela noite, foi colocado de vigia no portão principal do quartel de Fuzileiros Navais (atual Capitania dos Portos), com uma metralhadora de tripé, com a ordem expressa de “abrir fogo em quem tentar entrar”.
Durante o período em que está na Marinha, vai estudar no Colégio Dom Vital, em Casa Amarela, onde organiza um Diretório Acadêmico nessa escola, em companhia de Jarbas de Holanda, Clóvis Assunção de Melo e Antônio Avertano Rocha, e percorrendo outras escolas convidando os alunos a se organizarem. A direção do Dom Vital o expulsa por conta dessa atividade. Com apoio do professor Carlos Amorim, consegue vaga, para continuar os estudos, no Carneiro Leão.
Começa a trabalhar no Banco do Povo, como ascensorista, e, por participar de uma greve, é demitido. Trabalha ainda em outro banco, de onde também é demitido por envolvimento em questões trabalhista e políticas. O professor Paschoal Carlos Magno indica-o para a SUDENE, onde é aprovado em teste, como desenhista.
Por volta de 1962 começa a frequentar a casa do deputado federal Francisco Julião, para “comer o boião”, como dizia o bem humorado Clóvis Assunção de Melo, onde ambos participavam de reuniões. Conhece, atravez de Clóvis Assunção de Melo, um dos diretores da SUDENE, o engenheiro mineiro Juares de Brito, um líderes do movimento da Liga Camponesa.

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Começa a cumprir missões para a Liga Camponesa. Guardou, em sua residência, no Beco das Lágrimas, dentro de um colchão, o dinheiro para pagamento do transporte dos camponeses que virião ao comício de Francisco Julião. Foi ainda encarregado de ser o guarda-costas de Julião, no comício do Beco do Quiabo, nas proximidades da Fábrica da Macaxeira, e no largo da feira de Casa Amarela, escondendo sob uma capa de chuva, uma submetralhadora INA.
Encarregado de aprender o básico em medicina, percorre o bairro de Água Fria, acompanhando o médico Brivaldo, juntando diversos medicamentos para a missão em Dianópolis, Goiás.
Partem de Recife, num Jeep, Antônio Alves Dias, o comandante Luís de Carvalho (de codinome Palmeira e Capivara), Cleto Campelo (estudante universitário) e Adauto Monteiro da Silva. Saem de Pernambuco, percorrem o Piauí, rumo à Dianópolis. No dia em que lá chegam, o acampamento é atacado pelas Forças Armadas, e os quatro membros do grupo, Antônio Alves Dias, o comandante Luís de Carvalho, Cleto Campelo e José Meireles, empreendem fuga para Barreiras, na Bahia, onde o grupo dispersa.
Preso em 1969, após três encontros com Ricardo Zaratini e com Luís de Carvalho. Nas instalações do DOPS, na rua da Aurora, foi torturado pelo delegado Moacir Salles de Araujo.
Em 1973, o Cabo Anselmo, usando o nome de Jadiel, frequentou a sua residência, acompanhado de Soledad Barrett Viedma, e infiltrado num dos grupos guerrilheiros que nesse período estava em Recife. Após o “Massacre do Sítio São Bento” Cabo Anselmo/Jadiel desapareceu sem deixar rastro.

(Texto escrito pelo filho, o historiador Alexandre Alves Dias)

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